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O Ensino democratizado
 
8 de dezembro de 2009
 
Cerca de 30% da População Economicamente Ativa (PEA) do Município do Rio de Janeiro tem menos de oito anos de estudo. Para mudar essa realidade é preciso adotar medidas que facilitem o acesso desse grupo social ao ensino fundamental. E, nesse sentido, não é preciso ir muito longe para encontrarmos um exemplo de sucesso. O Centro de Referência de Ensino de Jovens e Adultos (Creja), localizado no Centro do Rio, é um modelo que tem alcançado resultados valorosos e que precisa ser ampliado.

O Creja atende atualmente a 500 estudantes do Ensino Fundamental com idades acima dos 15 anos. O diferencial do Creja em relação ao Programa de Educação de Jovens e Adultos (PEJA) está no horário de funcionamento: enquanto o PEJA funciona nas escolas regulares da rede pública municipal de ensino nos horários entre 18 e 22 h, o Creja abre suas portas as 07h30 e fecha somente às 22h.

Na prática, o Creja funciona de forma similar ao sistema de créditos das universidades, onde o próprio aluno monta sua grade de horário de acordo com sua disponibilidade. No Creja, por exemplo, o aluno pode frequentar as aulas de matemática no horário mais adequado à sua demanda, pois a matéria é oferecida em horários alternados ao longo do dia. O mesmo acontece com as demais matérias do Ensino Fundametal. Desta forma, o trabalhador que queira terminar o Ensino Fundamental, mas que trabalhe no turno da noite, poderá fazê-lo frequentando as aulas no turno da manhã ou tarde.

Um dos argumentos para o Creja estar localizado no Centro é a grande convergência de trabalhadores para essa área da cidade. De fato, aproximadamente 28% do pessoal empregado no mercado formal de trabalho carioca, 573.481, concentram-se no Centro.

Portanto, se o argumento é válido para o Centro da cidade, o mesmo também deveria valer para outros centros econômicos cariocas, como Barra da Tijuca, Botafogo, Copacabana, Campo Grande, Madureira, Tijuca, Ilha do Governador, entre outros. Em botafogo, por exemplo, 171.219 empregados trabalham no bairro, em Campo Grande são 54.856, na Tijuca são 74.356 trabalhadores.

Queremos mostrar com isso que o argumento para a existência de um Creja no Centro do Rio deveria valer para consubstanciar a existências de outros Crejas em outras áreas da cidade onde as concentrações de trabalhadores também mostram-se relevantes.

Se os argumentos econômicos não forem suficientes para sensibilizarem sociedade e autoridades, existem argumentos de cunho social que reforçam as necessidades mostradas acima: no bairro de Madureira, aproximadamente 50% dos jovens entre 15 e 17 anos não concluiram o ensino fundamental. Esse percentual é de 64% em Jacarepaguá, 58% em Santa Cruz, 43% em Campo Grande, 38% em Bonsucesso. A situação não muda muito se analisarmos a faixa etária de 18 a 24 anos para a mesma situação de ensino, ou seja, existe um grande contingente de cariocas que não terminaram o Ensino Fundamental e que estão no mercado de trabalho. Isso sem levar em conta os trabalhadores do mercado informal.

Os desenhos das pirâmides etária de alguns bairros também deveriam servir como parâmetros para implementação de Crejas. Por exemplo, o bairro de Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, tem 75.230 pessoas em idade ativa. A média de anos de estudos nesse bairro é de 6 anos. Em Santa Cruz, são 138.404 pessoas em idade ativa e a média de anos de estudos é também de 6 anos. Campo Grande tem 220.245 pessoas em idade ativa e a média de anos de estudo é de menos de 8 anos.

Essas informações sócio-econômica-demográficas devem balizar as ações do governo local direcionando a aplicação dos recursos públicos voltados para a educação no município do Rio de Janeiro. Os dados mostram que há demanda por educação de jovens e adultos. Dessa forma, não se pode mais negligenciar o fato de que o horário oferecido pela rede municipal de ensino para esse grupo social não tem condições de atender a essa demanda de forma plena e a alternativa dos Crejas poderá trazer novas motivações para que esses trabalhadores possam ter a chance de alavancagem de renda através da extensão de sua formação escolar.

 
Paulo Messina
 
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