| A visita à Maré teve duas etapas. A primeira ao Parque União, onde constatamos que o grande problema de sempre continua presente: a falta de saneamento básico. O pouco que é realizado ali só é feito a partir do esforço da própria comunidade, que reuniu R$ 140 mil e está pagando aos trabalhadores que residem na Maré para ajudar neste mutirão.
É uma pena que os governos tenham abandonado a comunidade, que exibe uma disposição quase heróica para realizar este trabalho, porque ela não tem condições de realizá-lo com as condições técnicas – e a extensão – de que ele necessita.
Um outro problema é a falta de ensino médio: existe apenas um CIEP para quatorze escolas básicas, o que representa um funil, já que as crianças saem da escola básica mas não encontram na Maré a possibilidade de continuar os seus estudos.
Apesar dos problemas, a comunidade também tem uma coisa muito interessante que nós visitamos: o Museu da Maré, que conta a história da comunidade através de fotografias com imagens da região e das palafitas, precursoras das atuais casas de alvenaria. Ele também tem um barraco daquele período, com todos os objetos de época, em um trabalho de reconstituição que contou com a colaboração dos moradores.
Há também várias salas especiais, como a dos Brinquedos, a da Fé (que reúne expressões religiosas de várias denominações) e a Sala do Medo, mostrando como evoluiu este sentimento na Maré: dos escuro, dos bichos, dos ratos, até os dias de hoje, onde o grande medo é o da bala perdida. Há uma homenagem especial a um garoto chamado Mateus, que em 2008 morreu atingido por uma bala perdida.
Nossa visita serviu para ver de perto não só os problemas da comunidade, mas também a força e a identidade cultural da Maré. |